Chegou o momento de regular o monopólio do Facebook, Google e Amazon?

No início de 1880, John D. Rockefeller dominava 90% das refinarias americanas de petróleo com sua State Oil. Em valores corrigidos, ele foi até hoje o homem mais rico da história. Porém o governo americano logo se atentou ao fato de que – uma empresa nessa posição de monopólio absoluto – impediria o surgimento de novos concorrentes, teria total liberdade para regular seus preços e acumularia um poder desproporcional dentro do país.

Resultado: em 1911, o Supremo Tribunal dos EUA decidiu pelo desmantelamento da State Oil ( e consequente venda ).

“Data is the new oil” tem sido um jargão recorrente. E é difícil não concordar. Vivemos cada vez mais em um mundo regido pelo big data, deep learning e AI. São essas tecnologias que definirão o futuro de países e a nova ordem geopolítica. E todos esses recursos consomem e produzem dados como matéria prima.  O que nos leva à Amazon, Facebook e Google.

Antes vistas como empresas admiráveis, na fronteira da inovação, os grandes titãs da tecnologia começaram a sofrer o escrutínio de políticos, reguladores e da própria sociedade. Ganharam uma sigla pra chamarem de sua nada lisonjeira, além de auto-explicativa: “BAADD—big, anti-competitive, addictive and destructive to democracy”

Alguns dados importantes:

  • Hoje a Amazon domina 40% do mercado americano de e-commerce, com 50% projetados pra 2021. Sua barreira de entrada e a prática de comprar pequenos rivais, que surgem pelo caminho, e o longo período em que não cobrou impostos de seus clientes, criam uma vantagem assimétrica, difícil de reverter.
  • Além da plataforma Facebook, que chega a incorporar – por exemplo – quase 50% da população asiática, a empresa domina os principais aplicativos de celulares do mundo: o próprio Facebook, Facebook Messenger, Instagram e Whatsapp. Isso sem contar com seu sistema falho de controle de discursos de ódio, manipulação estrangeira e “fake news”
  • Em países como o Brasil, o Google tem uma penetração de mais de 90%, o que faz com que seja a porta de entrada ‘de facto’ para internet e possa privilegiar produtos próprios, como o Google Shopping, em detrimento de outros competidores.

Antes simpáticos ao Vale do Silício, os Democratas estão cada vez menos tolerantes a esse grupo de empresas, assim como a União Européia. E o que pode vir por aí é um processo semelhante, ou mais grave, ao enfrentado pela Microsoft nos anos 2000, que mobilizou toda a empresa, se arrastou pelos tribunais e fez com que sua energia produtiva perdesse grande parte do foco.  Veremos.

 

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